Atualmente, apenas cerca de 30% dos automóveis que circulam pelo país possui algum tipo de seguro. Os problemas enfrentados pela indústria automobilística, como a queda na venda de veículos novos, acertou em cheio o mercado segurador, que também viu a queda na venda de seguros de automóvel.
As regras da Susep que regulamentam o seguro popular preveem o uso de peças usadas ou genéricas para a recuperação de veículos. De olho no segmento, a Azul Seguros, empresa do Grupo Porto Seguro, saiu na frente e lança o Azul Seguros Auto Popular, produto dirigido para veículos com importância segurada até R$ 60 mil, com data de fabricação a partir de cinco anos ou mais. O prêmio pode ser parcelado em 10 vezes, com cobertura básica para colisão, roubo, furto e indenização de 80% a 90% da tabela FIPE; assistência 24h e uso de guincho em até 100 km.
De acordo com Felipe Milagres, diretor da Azul Seguros, o valor do Seguro Auto Popular pode ficar até 30% mais barato que o tradicional, desde que o segurado aceite o produto popular, com oficina referenciada e coberturas dentro dos limites estipulados. O preço menor é possível, em parte, por causa do uso de peças provenientes de desmanches regularizados ou genéricas feitas nas mesmas especificações das originais, com exceção de reparos nos freios, suspensão, amortecedores, pneus e outros itens de segurança.
Milagres explicou ainda que, diferente do seguro tradicional, no seguro popular a escolha das oficinas é feita no momento da assinatura do contrato, as referenciadas ou as de escolha própria. O corretor deve oferecer ao segurado as duas opções e deixar clara as condições. “A comunicação do produto deve ter muita clareza. É obrigatório oferecer primeiro o seguro tradicional e depois o popular”, enfatizou.
Sobre o uso de peças usadas na recuperação dos veículos, Bruno Garfinkel, diretor da Renova Ecopeças (empresa de reciclagem de veículos do Grupo Porto Seguro), disse que peças usadas sempre existiram no mercado, mas as certificadas, não. A Renova foi a primeira empresa de reciclagem de veículos brasileira autorizada pelo Detran. Além de garantir a procedência e a qualidade, a empresa certificará as peças, possibilitando a rastreabilidade das mesmas.
O produto desenvolvido pela Azul Seguros começará a ser comercializado primeiro na cidade de São Paulo e Região Metropolitana. Essa restrição inicial, segundo Felipe Milagres, é por conta da questão da logística das peças de reuso. “O Seguro Auto Popular quer criar um modelo de entrada para atrair clientes que possuam o veículo como patrimônio único. Este público alvo já repara o carro com peças alternativas e não tem proteção contra terceiros ou qualquer tipo de assistência”, afirmou.
Depois da experiência em São Paulo, a Azul pretende expandir a oferta para outras regiões.
As vendas
Luiz Pomarole, diretor da Porto Seguro, explicou que as vendas do produto devem começar assim que a Susep liberar a autorização do produto. Ele espera que isso aconteça nos próximos dias. “Está tudo pronto, estamos apenas aguardando autorização para iniciarmos as vendas”, revelou.
Escrito por CQCS| Sueli dos Santos