A inflação medida pelo IPCA voltou a acelerar no mês de novembro, registrando alta de 1,01% no mês, acima da projeção média dos economistas de mercado (de 0,94%). Esse resultado apresenta uma aceleração na comparação com o IPCA de outubro (0,82%), assim como um aumento em relação ao índice verificado em novembro/2014 (0,51%). O resultado foi influenciado pelo aumento no preço dos combustíveis, que tiveram alta de 1,01% e influenciaram em 0,21 ponto o índice final. Além disso, o aumento no custo dos alimentos, com alta de 1,83%, apresentou uma influência de 0,46 ponto percentual no índice total. Com este resultado, o IPCA acumulado em 2015 já soma alta de 9,62%, com elevação de 10,48% no acumulado de doze meses. A expectativa é 2015 encerre o ano com uma inflação próxima de 10,44%.
Comentário: A inflação em 2015 está sendo profundamente influenciada pela nova política de preços dos combustíveis e da energia elétrica, que tem impactado direta e indiretamente os índices inflacionários. A inflação de serviços, grande vilã dos anos anteriores, começa a demonstrar sinais de arrefecimento na esteira da recessão, que reduz salários e a demanda por serviços não transacionáveis. O aumento da inflação no final do ano é um fenômeno recorrente no histórico inflacionário brasileiro, mas o importante será verificar como os preços se comportarão a partir do primeiro semestre de 2016, uma vez que há a expectativa de queda acentuada do acumulado de doze meses, dado que a inflação no primeiro semestre deste ano foi muito elevada. A dinâmica dos preços administrados, do câmbio e a força da indexação serão fatores decisivos para entendermos como irá caminhar a inflação no ano vindouro, uma vez que já é sabido desde o início de 2015 que este ano seria de ajustamento, com o IPCA muito acima do teto da meta. O combate à inflação em 2016 não poderá se valer dos tradicionais instrumentos de aumento de juros e valorização cambial, o que torna o debate sobre sua natureza e sobre os possíveis “remédios” uma discussão muito mais rica e complexa do que foi nos anos anteriores.