
A transformação digital deixou de ser uma tendência para se firmar como um movimento necessário e indispensável para a sobrevivência e a competitividade de qualquer organização. Afinal, um novo tempo requer métodos de organização e gestão muito mais tecnológicos, avançados e modernos.
Para empresas mais novas, que nasceram já na época em que as inovações disruptivas explodiram, fazer parte desse movimento não é uma tarefa tão complexa. Até mesmo porque elas vêm acompanhando o desenvolvimento de novas tecnologias e incorporando-as. Esse é o caso das insurtechs.
Contudo, o desafio é muito maior para as empresas grandes. As seguradoras com mais tempo de atuação no mercado podem ter dificuldades nesse processo. Afinal, como é possível migrar para o mundo dos ecossistemas tendo sistemas legados gigantescos que dificultam a velocidade desta movimentação/transformação?
Essa é a pergunta que buscamos responder neste artigo. Avance a leitura e entenda o impacto de um sistema legado na jornada de inovação.
#1 O que são sistemas legados?
Na prática, os sistemas legados também podem ser definidos como sistemas engessados. Isso porque, além de antigos, na maioria das vezes, quando qualquer tipo de intervenção é feita, o desenvolvedor repara o sistema de um lado e gera um bug de outro.
Ou seja, é um sistema que não possui uma arquitetura simples e flexível. Mesmo tendo sido desenvolvido há muito tempo, ele permanece em uso, sendo necessário para a condução dos processos na empresa.
Além dessa, outras características indicam se um sistema é legado ou não:
Ausência de documentos sobre a estrutura e as regras do sistema;
Uso de tecnologias obsoletas e sem suporte;
Alto custo e dificuldade na manutenção;
Está diretamente ligado às rotinas críticas do negócio.
De acordo com o autor Michael C. Feathers, do livro Working effectively with legacy code, “um código legado é um código sem testes automatizados”. Ou seja, esse é o tipo de sistema que não permite um controle de alterações com segurança.
Somente com testes é possível ter certeza de que mesmo um código que não foi mexido será testado. Desse modo, é possível evitar que o ajuste para o reparo de um bug, por exemplo, leve a outros bugs. Isso porque quanto o sistema legado tem testes automatizados você tem a segurança de que os impactos estão sob controle.
Hoje, infelizmente, as organizações ainda não conseguem gerenciar com sucesso os sistemas legados. Elas demoram para a atender novas demandas e as correções levam muito tempo para serem concluídas. Além disso, muitas vezes, quando os ajustes são feitos, eles geram outros problemas colaterais. De tal modo, as empresas ficam impossibilitadas de entregar o valor que gostariam por conta de um sistema engessado.
#2 Como os sistemas legados podem atrapalhar a transformação digital
Ainda que a seguradora já esteja caminhando rumo à transformação digital, algumas dificuldades técnicas podem desacelerar um projeto de inovação ou, até mesmo, torná-lo inviável.
A pesquisa “The Accenture Federal Digital Decoupling” mapeou uma uma série de ameaças que podem se confirmar, se não houver investimento na inovação ou modernização dos sistemas legados. São elas:
- Incapacidade de se mover com a velocidade necessária;
- A velocidade de inovação é muito prejudicada;
- Risco significativo de incidente cibernético e interrupção;
- Tecnologias antigas têm risco muito mais alto frente às novas ameaças.
Vale destacar ainda que o sistema legado representa um risco para a segurança cibernética da empresa. Isso porque uma vez conectado à web e com poucas ou nenhuma atualização recente, esse tipo de sistema é a oportunidade perfeita para que hackers tenham condições de invadir a infraestrutura do negócio.
#3 Como tornar o legado um aliado na transformação digital
É fundamental que corretoras, seguradoras e desenvolvedores voltem esforços para a manutenção de um sistema legado, priorizando a atualização e estendendo sua vida útil.
Afinal, quando a empresa amplia seu portfólio de produtos e serviços, ela precisa planejar também a modernização do sistema, para que o seu crescimento seja mantido, de acordo com essa evolução.
Na era da transformação digital, qualquer projeto de inovação impacta também na estabilidade da plataforma e na velocidade de entrega. Quer saber como tornar um sistema legado seu parceiro no projeto de modernização? Veja, a seguir, trÊs dicas!
- Criar um novo software e usar APIs: tomando como ponto de partida a base do sistema legado é possível desenvolver um software novo, que atenda às novas demandas da organização. Outra alternativa é fazer a integração dessa nova solução com as aplicações já existentes usando APIs e linguagens de programação.
Para o mercado de seguros essa solução é perfeita. Isso porque permite usar os dados sobre os segurados, que estão armazenados em soluções antigas, em um sistema novo com aplicações e recursos modernos.
- Fazer testes: eles são indispensáveis para o desenvolvimento de software. Afinal, somente assim é possível garantir que as mudanças feitas não irão impactar em determinada parte do sistema. Contudo, é impossível testar todos os fluxos de um grande sistema de forma manual. Portanto, o ideal é automatizá-los.
É possível usar vários tipos de testes: de unidade, integração, aceitação, contrato, etc. Usando esse recurso, o time de desenvolvimento será capaz de fazer testes e correr alguns riscos, sem impactar a estabilidade do sistema como acontece manualmente.
- Refatorar o software: quando a equipe de desenvolvimento faz testes frequentes, ainda que o sistema tenha problemas, é possível refatorar, ou seja, aperfeiçoar a estrutura interna do código, sem alterar sua função. Desse modo, os métodos de refatoração facilitam a compreensão do código, bem como a sua manutenção, ampliando a vida útil do sistema legado.
Quer conhecer outras tendências de transformação digital e ter acesso a conteúdos técnicos? Continue acompanhando o Trends!
Fonte: Gr1d Insurance